Para que todas as mães possam ter experiências respeitadas na hora do parto
Dez anos depois da iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, surge um novo desafio para melhorar a qualidade do atendimento e dar mais liberdade às mulheres para viverem o parto de acordo com as suas expetativas e necessidades.
O desafio foi lançado pela Comissão da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e designa-se Iniciativa Hospitais Amigos das Mães e dos Bebés, um programa que será apresentado pela primeira vez em Portugal na Conferência Bionascimento pelo professor doutor Diogo Ayres de Campos, no dia 5 de novembro, em Sesimbra.
De acordo com as orientações aprovadas pelas organizações envolvidas, e publicadas este ano pelo International Journal of Gynecology and Obstetrics, para obter a certificação como Hospital Amigo das Mães e dos Bebés, as maternidades deverão seguir dez critérios:
1 – Permitir às mulheres no primeiro estágio do trabalho de parto comer, beber e andar e, se não houver contra-indicação médica, escolher a posição que lhes pareça melhor durante o segundo e terceiro estágio.
2 – Garantir condições não discriminatórias às grávidas seropositivas e aos seus bebés, bem como aconselhamento pós-parto.
3 – Proporcionar privacidade à mulher durante o trabalho de parto.
4 – Dar condições para o acompanhamento do trabalho de parto por pelo menos uma pessoa da escolha da mãe, que seja culturalmente apropriada.
5 – Proporcionar um atendimento que respeita a individualidade da mulher, o seu contexto cultural e pessoal, bem como os valores que rodeiam o nascimento, incluindo às mulheres que vivenciam a perda perinatal.
6 – Não permitir abusos físicos, verbais, emocionais ou financeiros durante o trabalho de parto, nascimento e pós-parto.
7 – Proporcionar cuidados a custos suportáveis ou gratuitos e assegurar a sua transparência.
8 – Não utilizar, por rotina, práticas que não são baseadas em evidência científica, tais como: episiotomia, indução, separação da mãe e do bebé.
9 – Encorajar os profissionais, garantindo-lhes formação adequada, a proporcionar métodos de alívio da dor quer farmacológicos quer não farmacológicos.
10 – Promover o contacto imediato pele com pele e apoiar ativamente todas as mães a dar colo aos bebés e a amamentá-los, em exclusivo.
Assim temos, finalmente, 10 critérios impulsionadores de melhores práticas hospitalares na obstetrícia.
 
Sónia Ferreira para Bionascimento