Marta, amamentação da Raquel

Agora, quando mamava à noite era giro vê-la pegar na mama, largar e pegar no biberon, largava o biberon e voltava à mama… mas prevalecia sempre a mama!

Lembro-me que alguns minutos depois da Raquel nascer (após um prolongadissimo trabalho de parto que terminou com forceps… uups pois é! a única coisa de que ainda me arrepio…), me trouxeram a minha princesa e a sra enfermeira me disse pode tentar dar mama… a minha resposta foi “mas eu não tenho leite!”  Acreditem ou não, na minha gravidez andava tão nas nuvens que nunca me lembrei da parte da amamentação! – a sério!

A sra enfermeira disse-me para tentar porque tinha o colostro e já estava tudo preparado! e a partir desse minuto começou algo que iria desde esse maravilhoso dia 17/08/04 (o primeiro dia do resto da minha vida, como diz a música!!!!) até ao passado dia 25/07/06, inicei o desmame um pouco forçado há cerca de 15 dias. A fotografia que envio é de agosto de 2005, a raquel tinha quase 1 ano! Por incrivel que pareça não tenho muitas fotografias connosco nesta acção de partilha tão intensa, penso que foi sobretudo porque para nós lá em casa foi algo tido como muito natural e como fazendo parte da nossa rotina diária.

Passa-vos pela cabeça que se calhar eu estive em casa durante este tempo todo ou que a raquel está todo o dia próxima do meu local de trabalho… esqueçam não é nada disso! E acreditem tenho um trabalho muito exigente que me toma longas horas no local de trabalho ou em casa para finalizar trabalhos de análise económico financeira com timings muito apertado (é numa direcção de corporate finance num banco de investimentos). A raquel está num infantário no Pinhal de Frades e eu estou em lisboa. o pós parto do ponto de vista físico foi complicado, tive que ficar 4 dias no hospital, fazer uma raspagem porque tinham ficado restos de placenta, não me conseguia sentar (estive assim quase um mês), fiquei e permaneço com dores no coxis.

Para mim amamentar sempre foi algo natural e de que gostei verdadeiramente, confesso que já começo a ter saudades!

A raquel nasceu no Hospital Garcia de Orta e de facto não é à toa que é chamado “maternidade amiga da amamentação”, lá ela é fomentada e é-nos ensinado como colocar a mama na boca do bébé quando eles não estão a agarrar… só tenho maravilhas a dizer sobre isso, tal como aliás já tive oportunidade de transmitir à minha maravilhosa médica, a Drª Teresa Avillez.

Nos quatro meses que estive de licença de maternidade sempre dei de mamar à raquel o tempo que ela queria, às horas que ela queria, onde quer que fosse! Desde sempre os momentos de amamentação foram de trocas de sorrisos, música, carinho e até gargalhadas… sim tinhamos uma brincadeira que consistia em eu tirar-lhe a mama da boca de repente ou simular que lhe ia dar a mama e depois chegava-a para trás… trocavamos umas gargalhadas neste jogo de “tira põe” mas depois ela fazia aquele ar de ” a mama é minha” e nada a fazer perante aquele olhar ameaçador!!!!

Comecei a trabalhar e continuei a amamentar, já tinha algum leite congelado e continuei a tirar… trouxe a bomba para o trabalho, lavava, esterelizava e tirava aqui (num local com privacidade) sem qualquer complexo, sem qualquer rodeio, foi algo sabido aqui no meu trabalho… Sempre tive imenso leite, durante meses tirava o leite logo demanhã quando chegava e depois de almoço. A média diária foi durante muitos meses 500 ml, levava para casa e congelava para a Raquel ter sempre para levar para o colégio e ter sempre que eu não estivesse com ela. Depois passei a tirar só depois de almoço e depois deixei de tirar (penso que tal terá acontecido muito próximo dos 12 meses, já não sei precisar), óbvio nessa altura ´já tinha muito menos leite mas continuava a tirar para poder ter sempre para alguma eventualidade e para continuar a levar para o colégio.

Aos 12/13 meses introduzi o leite de vaca. e contnuei a amamentar sempre que a raquel pedia… A partir de desterminada altura deixou de me pedir durante o dia, a não ser quando faziámos sesta, as duas e passou a pedir só à noite antes de adormecer.

Nunca bebeu outro leite até aos 12 meses.

Vantagens, para além da emocional, impagável, do ela que criou entre nós, economicamente podem imaginar, não faço a menor ideia de quanto custa o leite em pó! A raquel nunca teve uma alergia, nunca teve uma bronquiolite… Teve as coisas normais para a idade, duas gastroentrites, uma ou outra febre, uma ou outra constipação, uma otite, e a “doença das pintas” este ano.Eu fiquei mais magra depois da Raquel nascer do que estava antes, 15 dias depois do parto recuperei a linha e atingi o que costumava ser o meu peso ideal (aquele que eu tinha seis anos antes de a raquel nascer!!!!!) nunca nos levantamos de noite para preparar leite, estava feito!!!! a logistica nas saída consistia apenas na muda de roupa e fraldas, depois passou a ser necessário a comida…mas durante 4 meses doi fantástico! As cólicas praticamente não aconteceram, o intestino sempre funcionou 100%… Graças a Deus!!!

Desvantagens, apenas uma, foi muito dificil introduzir o biberon… foi desesperante. Começamos a tentar umas semanas antes de eu começar a trabalhar e ela não aceitava. Tentámos n marcas de biberons, só funcionou com a Nuk e só funcionou no 1º dia de trabalho. O pedro quando eu comecei a trabalhar ficou 15 dias com ela (para tentarmos trazar ao máximo a entrada no infantário), depois ainda vio a avó materna mais 15 dias… Só o meu 1º dia de trabalho, talvez porque a fome foi mais forte, ela mamou o biberon com o leitinho especificamente programado para ela!

Agora, quando mamava à noite era giro vê-la pegar na mama, largar e pegar no biberon, largava o biberon e voltava à mama… mas prevalecia sempre a mama!

2004 foi um ano que marcou o inicio de uma quantidade de novas sensações que me têm dado níveis intensos de felicidade. Amamentar foi das melhores sensações que já tive!

2018-05-08T12:23:50+00:00