Recomendações para a prevenção da primeira cesariana

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Recomendações para a prevenção da primeira cesariana

A Academia de Ginecologia e Obstetrícia Americana (ACOG) em conjunto com a Sociedade de Medicina Materno-Fetal (SMFM) divulgaram no final do mês de Fevereiro de 2014, um consenso em cuidados obstétricos. O consenso reune 18 recomendações que têm por objetivo a prevenção segura da primeira cesariana.

Em Setembro deste ano, tive o privilégio de assistir à conferência LamazeDONA 2014 em Kansas City,e de ouvir a Drª. Katharine D. Wenstrom (uma das responsáveis pela elaboração destas recomendações), a apresentar as motivações e o fundamento científico que levou a este resultado.

Aqui fica a tradução das 18 recomendações.

Consenso nos Cuidados Obstétricos para a Prevenção Segura da Primeira Cesariana
Sociedade para a Medicina Materno-Fetal
Fevereiro 2014

Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG)

Recomendações e respectivo grau de classificação da recomendação

 

Primeiro estágio do Trabalho de Parto (TP)

 1 – Uma fase latente prolongada (i.e. mais de 20 horas em nulíparas e mais de 14 em multíparas) não deverá ser uma indicação para cesariana.
1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

2
 – Trabalho de parto lento, mas progressivo, no primeiro estádio de TP não deverá ser uma indicação para cesariana
1B –  Recomendação forte, qualidade moderada de evidência  

3 – Para a maior parte das Mulheres, a fase ativa do trabalho de parto só deverá ser considerada a partir dos 6 cm de dilatação. Assim, antes dos 6 cm de dilatação estarem alcançados, os padrões de avaliação de progressão de TP para a fase ativa não se deverão aplicar.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

4 – A cesariana só deverá ser considerada em caso de não progressão do trabalho de parto aos 6 cm de dilatação ou mais e com rotura de bolsa, apesar de 4 horas de actividade uterina adequada, ou pelo menos após 6 horas de administração de oxitocina com actividade uterina inadequada, e sem qualquer alteração na dilatação.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

 

Segundo estágio do TP

5 – Não foi identificado um limite máximo de tempo no segundo estádio do TP (Expulsivo), sobre o qual se deverão regular para decidir por um parto instrumentalizado.

1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

6 – Se o bem estar materno-fetal permitir e antes de se decidir por uma paragem de TP no período expulsivo, deverão permitir o seguinte:

  • Para multíparas o mínimo 2 horas em esforços expulsivos (1B)
    [1]
  • Para nulíparas o mínimo 3 horas em esforços expulsivos (1B) [2]

Períodos superiores poderão ser apropriados com base numa avaliação individual (p.e. em caso de epidural ou má posição fetal), desde que exista registo de progresso. (1B)

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

7 – O parto instrumentalizado deverá ser considerado uma opção segura e como uma aceitável alternativa à cesariana, desde que realizado por obstetras bem treinados e experientes. Deverá ser incentivada a formação prática e contínua de competências para o parto vaginal instrumentalizado.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

8 – A rotação manual occipital fetal em caso de mau posicionamento fetal no segundo estádio do TP é uma intervenção razoável a ponderar antes de se avançar para um parto vaginal instrumentalizado ou uma cesariana.

No sentido de se prevenir de forma segura o parto de cesariana nas situações de mau posicionamento, é importante identificar a posição fetal na segunda fase do TP, principalmente em situações disfuncionais da descida fetal.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

 

Monitorização da frequência cardíaca fetal

9 – A amnioinfusão [3] em caso de desacelerações repetitivas e variáveis, pode reduzir de forma segura a taxa de partos por cesariana.

1A – Recomendação forte, qualidade elevada de evidência

10 – O teste de estimulação do couro cabeludo [4]  pode ser usada como forma de avaliação do estado do ácido-básico fetal quando estão presentes padrões cardíacos fetais anormais ou indeterminados (anteriormente não-tranquilizador, como por exemplo,  baixa variabilidade ) e ser assim, nestes casos,  uma alternativa segura ao parto por cesariana.

1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

 

Indução do trabalho de parto

11 – Antes das 41 0/7 semanas de gestação, uma indução deverá ser efectuada com base nas indicações clínicas materno-fetais. Induções às ou além das 41 0/7 deverão ser realizadas com o objetivo de diminuir o risco de cesariana e de morbilidade e mortalidade perinatal.
1A – Recomendação forte, qualidade elevada de evidência

12 – Deverão ser utilizados métodos de maturação cervical quando a Mulher apresenta um colo não favorável à indução.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

13 – Se o estado materno-fetal permitir, a fase latente do parto deverá poder durar mais tempo (até 24 horas ou mais) e recorrer à administração de oxitocina no mínimo por 12-18 horas após a rotura do saco amniótico, e assim evitar o parto de cesariana por se considerar que a indução não foi bem sucedida.

 1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

 

Má apresentação fetal

14 – A apresentação fetal deverá ser avaliada às 36 semanas de gestação, de forma a poder ser oferecida a versão cefálica por manobras externas [5].

1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

 

Suspeita de Macrossomia

15 – O parto por cesariana para limitar potenciais traumas no parto deverá ser limitado a fetos com estimativas de peso de no mínimo 5,000 g em mulheres sem diagnóstico de diabetes e no mínimo de 4,500 g em mulheres com diabetes.

A prevalência de peso de 5,000 g ou mais à nascença é rara, e as pacientes deverão ser aconselhadas que a estimativa de peso fetal é imprecisa, particularmente numa fase tardia da gestação.

2C – Recomendação fraca, fraca qualidade de evidência

 

Excesso de peso materno

16 – As Mulheres deverão ser aconselhadas sobre o aumento de peso de acordo com as recomendações do IOM (Institute of Medicine), de forma a prevenirem o aumento excessivo de peso.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência

 

Gestação gemelar

17 – Os resultados perinatais não são melhorados pelos partos por cesariana quando o primeiro gémeo se apresenta em posição cefálica. Assim, Mulheres que tenham gémeos quer em apresentação cefálica/cefálica ou cefálica/ não cefálica deverão ser aconselhadas a tentar o parto vaginal.

1B – Recomendação forte, qualidade moderada de evidência


Outras

18 – Indivíduos, organizações e instituições governamentais deverão trabalhar no sentido de assegurar que é conduzida investigação que providencie um melhor conhecimento que possa apoiar decisões relativas ao parto por cesariana, e que incentivem políticas seguras que possam baixar a taxa de cesariana no primeiro parto.

1C – Recomendação forte, fraca qualidade de evidência

 

A consulta do documento na íntegra pode ser feita no site da ACOG.
Tradução feita por Sandra Oliveira CD(DONA) para BioNascimento

Notas do tradutor (NdT) –

[1]  NdT  – Em oposição aos 15-20 minutos considerados de acordo com o padrão definido por Friedmannos anos 50.[2]  NdT – Em oposição aos 45-60 minutos considerados de acordo com o padrão definido por Friedman nos anos 50.

[3] NdT – A amnioinfusão é atécnica pela qual se aumenta, transitoriamente, o volume amniótico, instilando,soro fisiológico na cavidade amniótica.

[4] NdT – O teste de estimulação do couro cabeludo, consiste em o médico obstetra efetuar pressão sobre o couro cabeludo do feto através de um toque vaginal. Se o feto estiver em perigo, essa pressão não causará aceleração da frequência cardíaca fetal.

[5] NdT – A versão por manobras externas consiste em converter uma apresentação desfavorável(pélvica ou transversa) numa apresentação cefálica.
By | 2017-01-21T13:50:04+00:00 Agosto 25th, 2015|Sem categoria|Comentários fechados em Recomendações para a prevenção da primeira cesariana

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